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GESTÃO DE ESTOQUES E COMPRAS NO VAREJO
RESUMO:
A atividade varejista no Brasil teve o
desenvolvimento de seus métodos de gestão de maneira tardia quando
comparados ao ambiente industrial. Especialmente os métodos e processos
relativos à gestão dos estoques e compras somente começaram a ser
estudados de maneira mais sistemática após a divulgação no Brasil
dos movimentos chamados QR – resposta rápida e ECR – resposta
eficiente ao consumidor.
Tais movimentos iniciaram pela utilização da
identificação de mercadorias por código de barras e evoluíram para
diversas áreas tais como custos baseados em atividades, gerenciamento
de categorias e, mais recentemente, o CPFR – planejamento colaborativo
da demanda e reposição de mercadorias.
Neste artigo comenta-se técnicas de definição de
sortimento de mercadorias, modelos de classificação de mercadorias,
análise de demanda e orçamento de compras, técnicas de planejamento
de estoques – TPOP – ponto de reposição baseado nas demandas de
períodos de tempo futuros, DRP – planejamento de necessidades de
distribuição, ROP – ponto de reposição, máximos/mínimos,
reposição baseada em tempo de cobertura de demanda – assim como
programação de compras de mercadorias específicas para eventos e de
moda, e alguns dos principais indicadores do desempenho da gestão de
estoques e compras em empresas de varejo de mercadorias, com
aplicabilidade também, em boa parte dos casos, para empresas
atacadistas.
Discute-se, ainda, sobre desenvolvimento,
contratação e relacionamento entre varejistas e seus fornecedores,
dentro da moderna ótica do SCM – gerenciamento da cadeia de
suprimentos.
Palavras-chave: varejo, planejamento de
estoques, compras, CPFR, SCM, VMI, DRP, ROP.
ABSTRACT:
Inventory management in retail and wholesale
industries was developed late in comparison with the manufacturing
industry, mainly in Brazil.
Only after the QR – quick response movement, the
first tentative orchestrated to improve customer service in the 80`s,
and the iniciative of ECR – efficient consumer response in the 90`s,
inventory management and other functions related were improved
significantly in retail and wholesales.
With CPFR – collaborative planning and forecasting
replenisment , and VMI – vendor managed inventory, together with
softwares as ERP – enterprise resource planning adapted for the
retail, and hardwares as scanners, POS, etc. that were available for use
in retail, inventory management arise in managers concern.
This article allow managers to understand how improve
stores assortment, forecasting and purchasing budgets, inventory planing
techniques as TPOP, DRP, ROP , purchasing schedules and highlights some
of main inventory and purchasing performance measurements.
In adition, approachs the development , contracting
and the relationship with the vendors for retailers and wholesalers, in
the new age of SCM – supply chain management.
Key-words: retail, inventory management,
purchasing, CPFR, SCM, VMI, DRP, ROP.
1) INTRODUÇÃO
A gestão de estoques no varejo brasileiro foi,
durante muito tempo, relegada a um segundo plano nas preocupações dos
gestores das empresas varejistas. Antes da época inflacionária, em
virtude da quase inexistência de grandes redes varejistas e, portanto,
pouquíssima competição, a maioria das lojas era gerenciada por seus
proprietários e estes executavam a gestão de seus negócios utilizando
sua experiência prática. Faziam reposição de mercadorias ou compra
dos itens "da moda" quando visitados por representantes dos
fornecedores, definindo quantidades a comprar de maneira empírica.
Durante os 35 anos em que a inflação moldou a
prática de gestão do varejo, apesar de começarem a aparecer grandes
lojas individuais e algumas redes, a questão dos estoques não era uma
preocupação muito grande pelo fato que ter estoque era garantia de
valorização do dinheiro investido.
Nesta última década três fatos começam a
influenciar os administradores das empresas varejistas para que eles
passem a dedicar maior atenção aos estoques e compras:
 | A
redução das taxas de inflação,
havendo anos em que esta taxa anualizada não passou de um dígito,
levou os executivos varejistas a perceber que investir em estoques
não era mais uma atividade lucrativa já que estes não mais se
valorizavam com a subida dos preços das tabelas dos fornecedores,
como na época inflacionária. |
|
 | O surgimento de sistemas
computadorizados de gestão empresarial, já mais adaptados ao
ambiente de varejo, que possuem parâmetros e algoritmos de cálculo
das quantidades a comprar das mercadorias comercializadas. Tais
sistemas obrigaram a que os profissionais de compras e, mais
recentemente, de logística, começassem a se interessar em aprender
as técnicas de planejamento de estoques e passassem a estabelecer
políticas de gestão das mercadorias de maneira mais científica. |
|
 | O aumento da competição em boa
parte promovido pela entrada dos primeiros grandes grupos de varejo
internacional no mercado brasileiro. Estas empresas passaram a ocupar
fatias de mercado das empresas brasileiras forçando a rápida
melhoria dos métodos de gestão destas, mormente na área de
estoques. |
|
Além disso, o aumento do número de lançamento de
produtos por parte das indústrias tornando a problemática de planejar
as compras cada vez mais complexa, o início do novo formato de negócio
através das vendas pela internet, e a necessidade de competir pela
preferência de um consumidor cada dia mais exigente, tornaram o assunto
de gestão dos estoques e das compras cruciais para a sobrevivência do
ramo do varejo.
2) A GESTÃO DE ESTOQUES NO VAREJO
A gestão de estoques no varejo é a procura do
constante equilíbrio entre a oferta e a demanda. Este equilíbrio deve
ser sistematicamente aferido através de, entre outros, os seguintes
três importantes indicadores de desempenho:
 |
Giro dos estoques |
 |
Cobertura dos
estoques |
 |
Nível de serviço
ao cliente |
2.1) Giro dos estoques
O giro dos estoques é um indicador do número de
vezes em que o capital investido em estoques é recuperado através das
vendas. Usualmente é medido em base anual e tem a característica de
representar o que aconteceu no passado, sendo calculado pela
fórmula mostrada abaixo:
Custo das mercadorias vendidas x 100
GIRO =
__________________________________
Custo do estoque médio no período
Quanto maior for a freqüência de entregas dos
fornecedores, logicamente em menores lotes, maior será o índice de
giro dos estoques, também chamado de índice de rotação de estoques.
Importante perceber que se a venda for lucrativa,
isto é, se o valor recebido pela venda for superior ao custo direto da
mercadoria, esta diferença é considerada como margem de contribuição
da venda e servirá para pagar os custos fixos da empresa além de
contribuir também para o lucro final do negócio. Assim, o giro é
fundamental para obter lucro em ambiente competitivo onde as margens de
lucro unitárias tendem a diminuir.
Um alto índice de rotação dos estoques é fator
fundamental na redução da necessidade de investimento em capital de
giro para um determinado nível de vendas.
2.2) Cobertura dos estoques
O índice de cobertura dos estoques é a indicação
do período de tempo que o estoque, em determinado momento, consegue
cobrir as vendas futuras, sem que haja suprimento. Este índice é,
muitas vezes, calculado de maneira errônea, com uma fórmula baseada em
média de vendas passadas. No varejo, a existência de demandas sazonais
e de eventos de grande impacto nas vendas, distorce completamente as
médias de vendas passadas o que inviabiliza o uso destas para o
cálculo da cobertura. Assim, recomenda-se o cálculo utilizando a
projeção de demanda futura, conforme fórmula:
estoque em determinada data (quantidade ou valor)
Cobertura dos estoques =
__________________________________________
previsão de vendas futuras (quantidade ou valor)
Quanto menor for o estoque em relação à projeção
de vendas teremos menor cobertura em dias, semanas, etc.. Isto significa
que se corre o risco de faltar mercadoria para atendimento ao cliente
quando a cobertura de estoques for muito baixa, mas, no caso contrário,
com o índice de cobertura muito alto, também se corre o risco de ter
estoques obsoletos em face das mercadorias "saírem de moda"
ou por perderem qualidade com o tempo de exposição na loja ou de
permanência em depósito.
2.3) Nível de serviço ao cliente
O indicador de nível de serviço ao cliente para o
ambiente do varejo de pronta entrega, isto é, aquele segmento de
negócio em que o cliente quer receber a mercadoria imediatamente após
a escolha, seja pelo self-service ou pelo e-commerce, demonstra
o número de oportunidades de venda que podem ter sido perdidas pelo
fato de não existir a mercadoria em estoque.
Como é impossível no ambiente de varejo de pronta
entrega saber se o cliente gostaria de comprar uma mercadoria que não
existe em estoque, o indicador de nível de serviço somente pode medir
o número de ocorrências de faltas de estoque de uma mercadoria,
conforme demonstrado pela fórmula abaixo:
|
Nível
de serviço ao
cliente
|
número de skus em estoque x número
de dias úteis do período x 100
=
____________________________________________________
número total de skus em venda x
número de dias úteis do período
|
Um indicador de nível de serviço ao cliente de 100%
significa que o sortimento de uma loja esteve totalmente presente nas
prateleiras, ou, em outras palavras, que durante o período analisado,
qualquer cliente que tivesse entrado na loja não teria deixado de
comprar alguma mercadoria por falta da mesma. Considera-se que todos os
skus que estavam sendo comercializados, permaneceram devidamente
expostos na área de vendas.
Um sistema informatizado que permita calcular o
nível de serviço ao cliente também deve permitir que se calcule o
valor das vendas perdidas através da multiplicação do preço dos
produtos que estiveram em falta pelo número de dias em que esta falta
ocorreu e ainda multiplicando pela média de demanda diária de tais
itens.
2.4) O impacto da falta de mercadoria na prateleira
Axioma muito conhecido no varejo diz que "aquilo
que não se expõe não se vende". Não se vende aquilo que não
tem estoque e também não se vende aquilo que não tem lugar na loja
para ser exposto. Este segundo aspecto será tratado no capítulo 4.
Sobre não se vender aquilo que não existe em
estoque, estudo promovido pela Procter & Gamble ( 1 ), apresenta os
impactos no comportamento de compra do consumidor face a inexistência,
na prateleira do estabelecimento visitado, da mercadoria que este
pretendia adquirir. Ver quadro ( 1 ) abaixo:
QUADRO 1: Resposta do consumidor às faltas de
mercadorias

Fonte: Retail Out of Stock Study patrocinado pela
Procter & Gamble, no site www.retaiwire.com
em 5/03/2003.
Analisando os resultados da pesquisa acima, vê-se
que o estabelecimento que não tem estoque do item desejado pelo
consumidor perde, em 32% dos casos, o valor de compra do cliente. Em 11%
dos casos, o cliente não compra o item, o que pode indicar que esta
venda não mais será feita. Estes dois comportamentos de compra
pesquisados, mostram um total de 43% de perda de venda de uma mercadoria
faltante, perda esta que não será recuperada e que tem ainda um outro
inconveniente; 32% dos consumidores informam que comprarão aquele item
faltante em outro estabelecimento. Isto indica que tais consumidores
são sérios candidatos a trocarem de estabelecimento de preferência
... .
Sob o prisma do fornecedor, a pesquisa mostra um
impacto significativo nas suas estratégias de relacionamento com os
varejistas, tanto na área de previsão de demanda quanto na de
reposição eficiente, que serão analisadas no capítulo 7. Vinte por
cento dos que não encontram a mercadoria de suas marcas preferidas
acabam comprando o mesmo produto de outra marca. Este comportamento pode
ter sensível impacto na fidelidade do consumidor à sua marca com
prejuízos no longo prazo.
3) MÉTODOS DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Para efetuar estudos sobre estoques, resultados das
vendas, fornecedores, desempenho de compradores, etc., é necessário
que o sistema informatizado usado para a gestão dos estoques e compras
tenham, ao menos, os seguintes classificadores:
3.1) Quanto ao perfil de demanda
Levy e Weitz ( 2 ) classificam as mercadorias em
quatro tipos de demanda, conforme o quadro abaixo:
QUADRO 2: Modelos de demanda de categorias
|
|
Novidade |
Moda |
Básica |
Sazonal |
|
Vendas durante
muitas estações |
Não |
Sim |
Sim |
Sim |
|
Vendas de um estilo
específico durante
muitas estações |
Não |
Não |
Sim |
Sim |
|
Vendas variam muito
entre estações |
Não |
Sim |
Não |
Sim |
|
Comportamento das
vendas em
relação ao tempo |

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Fonte: LEVY, Michael e WEITZ, Barton A.
Administração de Varejo; Tradução de Erika Susuki da 3a edição,
1998 – São Paulo: Atlas, 2000, p.312 Figura 12.6 - Variações
do ciclo de vida de categoria
Comentando as características dos perfis de demanda
exemplificados no quadro acima, pode-se dizer:
· Novidade: É a mercadoria que aparece
no mercado, atinge bons picos de venda, porém tem um ciclo de vida
muito pequeno.
· Moda: É a mercadoria que normalmente
se vende durante várias estações porém suas vendas podem variar
dramaticamente de uma estação para outra face as mudanças de design.
· Básica: Também chamada de
mercadoria de reposição normal, são aquelas mercadorias que
tem uma demanda contínua durante muito tempo, não sendo muito afetadas
pela mudança de design.
· Sazonal: São aquelas mercadorias
que tem sua demanda afetada de forma dramática pelas estações do ano.
Um outro tipo de mercadoria que possui demanda bem
específica é aquela vendida somente em datas definidas e chamada de
mercadoria de evento. São mercadorias vendidas em datas como
carnaval, páscoa, natal, etc. que, se não vendidas naquelas datas,
somente voltarão a ser vendidas no ano seguinte. Apesar de serem
chamadas de demandas sazonais por alguns autores, o conceito de season
não se aplica aos itens específicos para evento que tem demanda
somente em períodos extremamente curtos.
A utilidade de usar a classificação por perfil de
demanda está na identificação das respectivas fórmulas de projeção
de vendas, no uso de técnicas diferenciadas para planejamento de
estoques e na possibilidade de serem colocadas datas de validade nos
sistemas de gestão, a partir das quais as compras devem ser iniciadas e
terminadas, de acordo com o evento ou a estação em perspectiva.
3.2) Quanto aos centros de resultado –
departamentos, seções e categorias
Para estudos orçamentários, de planograma de loja,
de lucratividade, de vendas, etc., é necessário dividir os itens em
classes hierarquizadas indicando em que lugar da loja estes produtos
serão preferencialmente expostos.
|
Departamento:
Ex: Calçados
|
|
Seção:
Ex: Calçados femininos
|
|
Categoria:
(ver item 4.1) Ex: Chinelos
femininos
|
|
Produto:
Chinelo de tiras modelo XYZ
|
|
SKU:
– stock keeping unit – o nível
mais detalhado de identificação de um item. Ex: Chinelo de tiras
modelo XYZ tam. 37
|
3.3) Quanto à relação preço x público alvo
Ao desenvolver o sortimento de uma loja, isto é,
quais skus serão vendidos na mesma (ver capítulo 4), é preciso
registrar quais destes skus pertencem a cada uma das faixas de
preços de mercadorias que serão vendidas na loja. Uma classificação
que pode ser utilizada é a que representa a divisão de renda em
extratos como classe A, classe B, classe C, etc., estabelecendo-se, os
preços de venda máximos de cada categoria e a quantidade de skus que
se quer manter em venda em cada uma delas.
3.4) Quanto à fonte de fornecimento
Muitos estudos relativos a orçamentos,
lucratividade, ocupação de capacidade, etc são baseados na
identificação das fontes de fornecimento das mercadorias. Assim, o
sistema informatizado deverá proporcionar maneiras de classificar
pesquisas e relatórios por fontes de fornecimento:
 | Comprado
no mercado nacional,
|
 | Comprado
no mercado nacional, de fabricação estrangeira
|
 | Importado
diretamente pela empresa
|
 | Fabricação
própria
|
É necessário ainda que em cada sku haja a
identificação do fornecedor em que a mercadoria é comprada:
 | Código
do fornecedor
|
 | Código do
estabelecimento do fornecedor (um fornecedor pode ter vários locais de onde
fatura as mercadorias) |
3.5) Quanto aos compradores
Para avaliar desempenho dos compradores é
necessário que os skus tenham relacionamento com as duas
entidades seguintes:
 |
Grupamento
de compras
|
 |
Comprador |
Assim, relatórios e estatísticas de desempenho de
compradores são emitidas permitindo analisar, por exemplo, o lucro
bruto proporcionado por cada comprador, o giro de estoque dos itens que
ele compra, etc..
4) DEFININDO O SORTIMENTO DE CADA LOJA DA REDE
Varejistas necessitam decidir sobre quais itens devem
ser vendidos em cada uma das lojas de suas redes. Isto implica em
conhecer, entre outras coisas, o tráfego de consumidores onde sua loja
está instalada, o tamanho e equipamentos da loja, os fornecedores e os
produtos das categorias que o varejista quer trabalhar etc.,
relacionando estes dados com os objetivos financeiros de cada loja.
Dá-se o nome de planograma ao diagrama que ilustra a
disposição das mercadorias em uma loja e os softwares existentes no
mercado para ajudar na confecção de planogramas de lojas permitem que,
além de se ver a disposição física de cada uma das mercadorias em
quaisquer equipamentos de exposição de uma loja, se possa também
orientar os cálculos de quantos, quais itens e onde devem estes ficarem
expostos face aos históricos de venda e de rentabilidade dos mesmos.
4.1) O que é uma categoria?
Uma categoria é um conjunto de itens que o
cliente entende como substituíveis entre si.
Desta forma, poderíamos, por exemplo, classificar os
produtos chamados de achocolatados, com suas diversas marcas, tipos e
tamanhos, como uma categoria. Da mesma forma, os diversos tipos de
calças masculinas poderiam ser considerados como uma categoria.
Este conceito é importante para ajudar na tomada de
uma decisão crucial. Com quantos produtos diferentes deveremos
trabalhar em uma loja, face às limitações de espaço e de dinheiro
para investir em estoques?
4.2) Conceituando variedade e sortimento
Variedade é o conjunto de categorias com o qual
se deseja trabalhar em um departamento de uma loja. Assim, uma loja tem
muita variedade quando oferece muitas categorias de produto aos seus
clientes. A variedade é a mais importante decisão de um varejista
pois, a sua empresa será conhecida por ser uma especialista em vendas
de determinada categoria ou uma generalista vendendo diversas categorias
como uma loja de departamentos ou um hipermercado.
Sortimento é o número de skus que serão
vendidos dentro de uma categoria. Muitos produtos possuem variação de
cor, tamanho, composição, estilo, etc., sendo então chamados de
¨produtos com grade¨. Cada interseção da grade, estilo,
composição, cor, tamanho, é um sku individual. Sortimento é também
conhecido como profundidade e está também ligado ao conceito
que se quer ter de uma loja. Se o conceito for de especialista, a
tendência é ter um sortimento elevado da categoria trabalhada. Se é
uma loja de departamentos pode-se admitir um menor sortimento de cada
categoria.
4.3) Fatores que influenciam a variedade e o
sortimento
Diversos são os fatores que influenciam na decisão
que o varejista deve tomar quando está planejando a variedade e o
sortimento de suas lojas:
 | A vocação do negócio em termos de
qual ou quais públicos-alvo se deseja atender. Em uma rede de
lojas, haverá variações demográficas em termos de renda, sexo,
idade, etc. dos consumidores que estarão fazendo suas compras em cada
loja. A variedade e o sortimento, então, podem ser diferentes para cada
uma das lojas de uma rede, seja em termos de com quais categorias
trabalhar, que faixas de preço de produtos devem ser vendidos ou mesmo
quais cores, estilos e tamanhos são mais apropriados para os
públicos-alvo. |
|
 |
O tamanho da loja conjugado com a
disponibilidade de equipamentos de exposição existentes ou possíveis
de serem colocados na mesma. Não se pode comprar para uma loja um
número de itens maior do que a capacidade de exposição da mesma.
Deve-se levar em conta que, dependendo da sazonalidade ou do calendário
de eventos, haverá alteração no sortimento, saindo alguns itens de
exposição e entrando outros pertinentes aos eventos ou às estações. |
|
 | Os objetivos financeiros da empresa.
Na definição da variedade e do sortimento devem ser levados em
consideração os objetivos de venda de cada loja, normalmente
calculados por metro quadrado dentro de cada departamento ou seção.
Uma forma mais elaborada de definir os objetivos financeiros dos
estoques de um item ou categoria, é o retorno da margem bruta sobre o
investimento em estoque – GMROI -, descrito por Levy e Weitz ( 3 )
conforme demonstrado no quadro ( 3 ) abaixo: |
|
QUADRO 3: Retorno da margem bruta do investimento em
estoque – GMROI

Fonte:
LEVY, Michael e WEITZ, Barton A.
Administração de Varejo; Tradução de Erika Susuki da 3a edição,
1998 – São Paulo: Atlas, 2000, p.306 Figura 12.3 – Ilustração
do GMROI
Como se pode analisar no exemplo, apesar do leite ter
uma margem de 1,33% e o vinho ter margem de 50%, face à rotação bem
mais acelerada do leite, ao final de um período anual os GMROI são
iguais em 200%. Este índice, portanto, tem a grande vantagem de
combinar os efeitos da gestão dos estoques – giro – com os efeitos
do preço, ou margem. É um excelente indicador de gestão dos
compradores de um estabelecimento varejista e também um indicador da
rentabilidade do espaço ocupado por mercadorias em uma loja.
4.4) Qual o estoque que devo ter de cada SKU
em cada loja?
Estabelecer a quantidade que devemos manter de cada
item em uma loja consiste em equilibrar os benefícios de uma alta
rotação com os riscos das faltas de estoque.
Os avanços obtidos através do SCM – gerenciamento
da cadeia de suprimentos, utilizando os conceitos de planejamento
colaborativo nas atividades de previsão de vendas e programação das
reposições, assim como os avanços nas diversas atividades de
transporte, armazenagem e expedição, estão permitindo a redução dos
estoques nas lojas. É fato, ainda, que estas estão tendo seus custos
por metro quadrado cada dia maiores, o que obriga a ter menores estoques
nas mesmas, passando a utilizar, quando se trata de redes de lojas, a
estratégia de estocagem em CDs, de maneira a obter rapidez na
reposição e melhor uso dos estoques de segurança.
Um outro facilitador para obter menores estoques nas
lojas é a utilização de métodos de previsão de vendas mais
avançados, reduzindo os riscos de sobras e faltas. No capítulo 6
discute-se em maior profundidade os métodos de planejamento de estoques
e a estocagem em centros de distribuição que ajudam o processo de
redução dos estoques das lojas ao mesmo tempo que permitem maior
sortimento.
5) A ELABORAÇÃO DOS ORÇAMENTOS E PLANOS DE COMPRAS
É o processo, em conjunto com os planogramas das
lojas, que auxilia as principais decisões quanto ao sortimento da
empresa, assim como criará metas de avaliação do desempenho dos
compradores.
5.1) Os orçamentos de compras
Na primeira etapa de estabelecimento dos orçamentos,
efetuam-se os cálculos que permitem estabelecer os valores financeiros
máximos que poderão ser gastos pelos compradores para manter as
categorias de mercadorias pelas quais são responsáveis, dentro das
políticas de atendimento previstas e dentro das restrições e
objetivos financeiros do planejamento estratégico da empresa. Na
segunda etapa, os valores mensais orçados são desdobrados em dois
orçamentos, e que podem ser melhor visualizados no Quadro 4:
 | Orçamento para compras de mercadorias
básicas, isto é, mercadorias que terão sua reposição
calculada por métodos conforme capítulo 6. A execução deste
orçamento terá pouca influência do comprador, pois as mercadorias
básicas tem comportamento de demanda com pouca variabilidade dentro
de um mesmo período de tempo. |
|
 | Orçamento para compras de mercadorias
de moda e de eventos, isto é, que serão compradas para atender
as vendas em períodos determinados e vendidas até o fim do estoque
adquirido, não entrando no conceito de reposição continuada. A
execução deste orçamento é grandemente influenciada pelo
comprador, pois as mercadorias são compradas para atendimento a
períodos pequenos de demanda, e vão sendo substituídas por novas
¨coleções¨ à medida que as estações ou eventos ocorrem. |
|
QUADRO 4: Esquema de elaboração dos orçamentos de
compras

Os valores mensais constantes dos orçamentos de
compras de itens básicos e de mercadorias de moda representam os
valores das entregas dos fornecedores naqueles períodos. O momento da
compra pode ser diferente desse período pois existe um tempo de entrega
do fornecedor. O momento do pagamento da compra depende da data de
entrega e das condições de pagamento.
Tais orçamentos servem de entrada de dados nos
sistemas de previsão de fluxo de caixa, efetuando-se a defasagem dos
valores a pagar com base nos prazos médios de pagamento negociados com
os fornecedores da empresa.
5.2) Os planos de compras
Os planos de compras são baseados nos orçamentos de
compra e, como esses são também de dois tipos:
5.2.1) Plano de compras de mercadorias básicas
O plano de compras de mercadorias básicas é a
própria dinâmica de programação da reposição dos itens básicos
mantidos em venda. Tal dinâmica é suportada por sistemas
computadorizados de gestão de estoques, que utilizam diversos
algoritmos de cálculo para comandar a reposição das lojas e dos
centros de distribuição. Tais algoritmos são explicados no capítulo
6.
Os valores mensais definidos no orçamento de compras
devem sempre estar sendo confrontados com os planos de compra gerados
pelo sistema para que seja possível tomar medidas de revisão
orçamentária ou revisão nos parâmetros de planejamento de estoques
visando adaptá-los á dinâmica de suprimento x demanda.
5.2.2) Plano de compras de mercadorias de moda ou de
eventos
Produtos de moda e muitas mercadorias vendidas em
eventos, não podem ser planejadas utilizando os algoritmos tradicionais
de planejamento. Tendências da moda e comportamento do consumidor
variam, impossibilitando, em nível de sku e até de categorias,
que utilizemos técnicas estatísticas para projetar vendas e compras de
tais tipos de itens.
É a perspicácia, conhecimento do mercado e alguma
sorte que permite ao comprador tomar boas decisões sobre mercadorias de
moda ou de eventos que ele deve comprar. Para melhor compreender este
processo de compra, tem-se o Quadro 5, em seguida:
QUADRO 5: Processo de compra de mercadorias de moda e
de eventos

5.2.3) Plano de compras de novidades
Mercadorias chamadas novidades são produtos
inusitados que aparecem no mercado. Podem ser derivados de novas
invenções ou mesmo serem o resultado de novas "ondas" de
consumo, causadas por fatos como o aparecimento do produto em novelas,
entrevistas com pessoas de grande influência nos costumes, etc..
As vendas de tais mercadorias não são possíveis de
prever com antecedência e, portanto, tais itens devem ser comprados com
o máximo de cautela. Como na maioria dos casos estes produtos tem um
ciclo de demanda muito rápido e preços iniciais com alta
lucratividade, são rapidamente comercializadas pela maioria dos canais
de distribuição disponíveis no mercado. Isto implica em um rápido
atendimento da demanda e um efeito chicote (ver capítulo 7) muito
intenso, o que causa grandes estoques para os últimos varejistas
entrantes no mercado. Quem entra e sai rapidamente do mercado de tais
itens, ganha bom dinheiro. Quem entra tardiamente, normalmente fica com
os encalhes.
5.2.4) Avaliando o desempenho das mercadorias
compradas: A margem bruta
Além dos indicadores de desempenho da gestão dos
estoques mencionados anteriormente -giro, cobertura e nível de serviço
- é fundamental que o comprador mantenha um permanente acompanhamento
das margens brutas obtidas pelas mercadorias sob sua responsabilidade de
gestão.
Margem bruta ou lucro bruto é o resultado da
fórmula abaixo:
|
margem
bruta ( em valor )
= vendas líquidas custo das mercadorias vendidas
|
|
margem
bruta em valor
margem
bruta ( em percentual )
=
__________________________
vendas líquidas |
Para o cálculo das vendas líquidas, do valor total
de vendas retiram-se os valores relativos a devoluções de clientes e
os descontos dados aos clientes, além dos impostos e taxas diretamente
relacionadas com a venda.
O custo das mercadorias vendidas é o resultado do
preço pago ao fornecedor acrescido dos impostos não recuperáveis, do
frete e de despesas associadas à remessa como embalagens especiais,
taxas de desembaraço aduaneiro, etc.
Como medição de desempenho do comprador, de uma
categoria ou mesmo de um fornecedor, utiliza-se primordialmente a
margem bruta percentual.
5.3) A influência de promoções e liquidações nos
orçamentos
Atualmente a competição no varejo tornou muito
comum a utilização de diversos esquemas promocionais para aumentar o
tráfego nas lojas e para eliminar os produtos de uma estação, abrindo
espaço para a entrada de novas coleções.
Uma recomendação para que seja possível analisar os impactos dessas
promoções e liquidações é que os históricos de vendas dos produtos
promocionados sejam identificados com o tipo e número seqüencial da
promoção feita.
5.3.1) Promoções de mercadorias com preços
diferenciados
Dois tipos bastante comuns de promoções com preços
diferenciados são os chamados encartes promocionais e os preços
líderes de categoria.
A característica dos encartes promocionais é a
veiculação de publicidade em jornais, revistas, televisão, internet,
etc., onde são comunicados conjuntos de produtos de uma ou de várias
categorias que terão seus preços "de oferta" durante um
determinado período de tempo. Tais esforços promocionais visam a fazer
com que o consumidor venha até a loja para comprar as ofertas e, ao
mesmo tempo, compre outros produtos aos preços normais.
Como tal atividade provoca aumentos significativos de
demanda sobre os itens ofertados, com reflexos em aspectos logísticos
de estocagem e distribuição, além de impactos na margem bruta de tais
itens, é necessário elaborar calendários específicos para tais
promoções, e seus respectivos orçamentos de compra. Esta é,
portanto, uma atividade do planejamento estratégico de compras ao
início de cada exercício.
Tais orçamentos devem prever quais as mercadorias
deverão ser inseridas nos encartes e em que quantidades, de maneira a
orientar os compradores no sentido de negociar com antecedência com os
fornecedores, preços e condições especiais para as mesmas. É
importante ainda que sejam revistas as previsões de demanda dos itens
promocionados após o período das ofertas, pois pode haver reduções
de demanda dos mesmos, face à venda forçada no período da promoção.
Os chamados "produtos de preço líder"
são mercadorias que se mantém expostas de maneira destacada nas áreas
de sua categoria e que tem por objetivo chamar a atenção do consumidor
sobre aquela categoria ou área da loja. Como os encartes, tais
promoções devem ser objeto de planejamento antecipado para que se
identifique seus efeitos sobre margens e demandas assim como se
estabeleça objetivos específicos de negociação de tais itens com
seus fornecedores.
5.3.2) As liquidações
As mercadorias que encalham por erro de compra, as
que sofrem desgaste pelo tempo de exposição e aquelas que sobram ao
final de uma estação são candidatas a serem liquidadas através de
processos de redução de preços.
Os processos de liquidação dos estoques
indesejáveis podem ser realizados de algumas maneiras como:
 | Por acordo com fornecedores, que recebem as
mercadorias encalhadas como devolução e, as substituem por mercadorias
mais vendáveis ou da nova estação. |
|
 | Por transferência da mercadoria para lojas
especiais da rede. Estas lojas são montadas especificamente para
trabalhar com preços baixos e mercadorias depreciadas como pontas de
estoque, mercadorias fora de estação e até mercadorias com pequenos
defeitos. |
|
 | Por revenda das mercadorias encalhadas para
varejistas especializados em vendas de saldos. Em tais casos as
mercadorias são sempre vendidas a preços inferiores ao custo. |
|
 | Por processos contínuos de depreciação
em que se determinam faixas de desconto à medida que vai passando o
tempo e a mercadoria não é vendida. Por exemplo, ao passar 60 dias que
a mercadoria entrou na loja, a mesma tem seu preço rebaixado em um
percentual previamente fixado. Ao atingir 90 dias, é dado mais um
desconto, e assim por diante até eliminar o estoque. |
|
 | Por liquidações de fim de estação em
que se aproveita a época em que as demais lojas de um shopping ou de
uma região da cidade veiculam grande volume de propaganda chamando a
atenção dos consumidores para as grandes liquidações de fim de
estação. |
|
5.4) O orçamento como instrumento de avaliação dos
compradores
As projeções orçamentárias além de servirem como
balizamento das atividades dos compradores, permitem que se avalie
continuadamente a gestão dos mesmos sobre as categorias sob sua
responsabilidade, principalmente em termos de margem bruta e geração
de estoques obsoletos ou de baixa movimentação.
6) MODELOS DE PLANEJAMENTO DE ESTOQUES PARA O VAREJO
O presente artigo não tem a intenção de se
aprofundar na discussão das técnicas de gestão de estoques face à
existência de diversos livros que tratam o assunto em profundidade. O
propósito aqui é mostrar quais os modelos mais adequados ao
planejamento de estoques de mercadoria do varejo, procurando comentar,
de cada método, sua melhor aplicabilidade neste segmento.
6.1) Os métodos de ponto de reposição baseados na
demanda do passado
Os métodos de planejamento de estoques baseados na
demanda passada são válidos somente para aquelas mercadorias com
demanda bastante estável ou quando é possível retirar dos históricos
de demanda, aquelas que foram causadas por promoções, ficando então
um modelo de demanda estável. Logicamente que a estabilidade aqui
mencionada não significa uma ausência de variação e sim uma
variação pequena da demanda em torno da média.
Os principais tipos de sistemas de reposição
baseados na demanda passada são o método de ponto de reposição de
revisão permanente e o de ponto de reposição por revisão periódica.
Abaixo comentam-se estas duas técnicas:
6.1.1) Ponto de reposição de revisão permanente
O método de ponto de reposição de revisão
permanente, utiliza a fórmula:
PR = DM x TR + ES
Onde PR = quantidade em estoque quando se deve
iniciar providências para uma encomenda ao fornecedor
DM = quantidade de demanda média diária
TR = tempo em dias que se leva para colocar e receber
a nova encomenda
ES = quantidade que se deve manter em estoque para
proteger o atendimento ao cliente se houver atrasos na entrega do
fornecedor ou se a demanda tiver variação sensível acima da média,
durante o tempo de reposição.
O sistema de planejamento deve permanentemente
comparar o estoque existente, acrescido das ordens de reposição já
colocadas, com o ponto de reposição. Caso tenha atingido ou
ultrapassado o ponto de reposição, o sistema recomenda a colocação
de uma nova encomenda em uma quantidade (LE) que é calculada pelo
sistema obedecendo às políticas de estoque médio que se adote para a
mercadoria, dentro das restrições de lotes mínimos e lotes múltiplos
que o fornecedor estabelecer e, ainda, considerando as encomendas já
colocadas no fornecedor. A política de estoque médio - EM é
dada pela fórmula:
EM = LE/2 + ES
Se os parâmetros de lote de encomenda (LE) e estoque
de segurança (ES) forem transformados em dias de demanda, ter-se-á que
o estoque médio cobrirá o número de dias do estoque de segurança
mais a metade do número de dias cobertos pelo lote de encomenda.
Alguns sistemas de reposição tem seus algoritmos de
cálculo do lote de encomenda de maneira a permitir que o comprador, no
momento da encomenda, coloque uma quantidade de dias que deseja que o
estoque esteja coberto pela nova ordem. O sistema então recalcula a
ordem com base na nova informação dada pelo comprador.
Os cálculos de lote de encomenda sempre foram muito
influenciados pelos conceitos de lote econômico e de classificação
ABC. Com os modernos procedimentos de compra através da internet,
negociações de longo prazo, programação e comunicação da
reposição feita automaticamente por computador, transmissão
eletrônica das notas fiscais dos fornecedores, etc., o conceito de lote
econômico perde relevância face aos custos fixos de uma compra serem a
cada dia menores. Quanto a classificação ABC, este é um conceito
ultrapassado em termos de gestão de estoques, pois não se pode definir
um nível de estoque com base em valores financeiros. O quanto comprar e
o estoque de segurança devem ser definidos pela variação de demanda
do item e pela dificuldade em se repor o mesmo, sempre pela lógica do
maior giro possível.
6.1.2) Ponto de reposição por revisão periódica
O método de planejamento de estoques por reposição
periódica utiliza o conceito de que a reposição de um item ou de um
conjunto deles, seja feita em intervalos de tempo regulares ou mesmo em
datas previamente definidas.
Nestas datas, o sistema computadorizado determina a
quantidade que deve ser reposta, levando em consideração o intervalo
de reposição, o estoque de segurança, o tempo de reposição e o
estoque na data, descontando eventuais ordens colocadas nos fornecedores
e ainda não recebidas. A fórmula do ponto de reposição para itens de
reposição periódica é a seguinte:
PR = DM (TR + IR/2) + ES
Onde PR = quantidade em estoque quando se deve
iniciar providências para uma encomenda ao fornecedor
DM = quantidade de demanda média diária
TR = tempo em dias que se leva para colocar e receber
a nova encomenda
IR = intervalo de tempo em dias, até se fazer nova
reposição
ES = quantidade que se deve manter em estoque para
proteger o atendimento ao cliente se houver atrasos na entrega do
fornecedor ou se a demanda tiver variação sensível acima da média,
durante o tempo de reposição.
A quantidade a encomendar (LE) será calculada pelo
sistema a semelhança do método de ponto de reposição de revisão
permanente descrito em 6.1.1.
6.2) Reposição baseada nos parâmetros de máximos
e mínimos ou método das quantidades fixas
Este método, muito utilizado pelo varejo por causa
de sua simplicidade operacional deve ser utilizado apenas para aqueles
itens em que as médias estatísticas de demanda são muito pouco
representativas, o que normalmente acontece naqueles itens de pequenos
quantitativos de venda. Não se recomenda a utilização deste método
para as demais mercadorias já que ele facilita o aumento dos estoques.
No método, considera-se que o nível máximo
do estoque corresponde a quantidade que deve servir como estoque
objetivo no momento em que se coloca uma encomenda. O nível mínimo
é o que se chama de ponto de reposição. Assim, a quantidade a repor
é calculada diminuindo-se do estoque máximo a quantidade de estoque
existente no momento.
A fórmula do método de máximos e mínimos é dada
pela expressão:
PR = estoque < ou = nível mínimo
Ao se determinar o estoque mínimo devem ser feitos
os cálculos similares ao método de ponto de reposição por revisão
permanente, em relação ao estoque de segurança.
6.3) Ponto de reposição baseado nas demandas de
períodos de tempo futuros - TPOP
Conforme dicionário da APICS ( 4 ), TPOP é o
método de gestão dos estoques dos itens de demanda independente, onde
as necessidades brutas se originam da previsão de venda e/ou de
encomendas de clientes e os cálculos são baseados na lógica MRP. A
vantagem deste método é que o comprador estará sempre visualizando um
horizonte de tempo que julgue necessário, inclusive com a possibilidade
de indicar ao fornecedor do item em análise não somente as encomendas
firmes como as previsões de encomendas futuras. Um exemplo de cálculo
utilizando TPOP pode ser visto no quadro 6.
QUADRO 6: Cálculo da reposição utilizando TPOP –
ponto de reposição baseado nas demandas de períodos de tempo futuros

6.4) A influência das centrais de distribuição no
planejamento de estoques
No passado, grande parte das lojas tinha em anexo
seus depósitos onde guardavam as mercadorias que seriam expostas na
área de vendas. Com o processo de redução do tamanho das lojas, a
instalação de lojas em shopping centers, e as restrições de
tráfego de caminhões de entrega nos grandes centros urbanos, tornou-se
quase impossível manter tais depósitos junto às lojas. Imaginem um
shopping center com 200 lojas tendo que ter espaço e equipamentos para
receber e descarregar veículos de entrega de todos os fornecedores das
lojas ali instaladas.
A medida em que as redes de varejo se dispersam
geograficamente em busca de clientes, os problemas logísticos se
avolumam. Os custos de transporte para manter as lojas abastecidas
tendem a crescer, o estoque em trânsito entre o depósito central e as
lojas começa a ser significativo, as lojas mais distantes tendem a
aumentar sua estocagem para fazer face ao tempo de reposição das
mercadorias, etc..
Quando esta rede de lojas tem vendas para entrega na
casa do cliente como tipicamente as lojas que vendem eletrodomésticos
ou quando também possuem vendas pela internet, os problemas de
atendimento ao cliente se avolumam e os custos de atendimento passam a
ser parte significativa do custo logístico total.
Para este cenário, um dos caminhos de solução é a
instalação de centrais de distribuição – CD. A implantação de
CDs, únicos ou múltiplos, tem significativa influência nos estoques e
no nível de atendimento às lojas e aos clientes.
Em termos de estoques, a tendência é de que se
reduzam os estoques mantidos nas lojas desde que se implante roteiros de
entregas às lojas em pequenos intervalos de tempo. Como cada loja
anteriormente deveria fazer seus próprios estoques de segurança, ao
concentrarmos os estoques em um CD, o estoque de segurança consolidado
será matematicamente menor para um mesmo nível de atendimento.
A conveniência de ter um ou mais centros de
distribuição para atendimento ao suprimento de uma rede de lojas é um
estudo logístico complexo, exigindo simulações de custos de
transporte, de operação, de instalações e de manutenção de
estoques, para subsidiar a decisão de quantos CDs devem ser instalados
e qual a melhor localização para os mesmos.
São inegáveis, entretanto, os benefícios que a
instalação de CDs proporcionam em termos de maior velocidade na
reposição das lojas e na entrega aos clientes, com menores custos
logísticos totais. O modelo de planejamento da reposição de
mercadorias utilizando centros de distribuição é o DRP –
planejamento de necessidades da distribuição, discutido em seguida.
6.5) O planejamento de estoques em uma rede de
distribuição – DRP
Quando em um ambiente de múltiplos estágios de
distribuição, conforme apresentado no esquema do quadro 7, a técnica
de planejamento de estoques melhor aplicável neste caso é a de DRP -
planejamento das necessidades da distribuição.
Segundo Landvater e Gray ( 5 ) um sistema DRP
"proporciona visibilidade ao longo de toda uma rede de
distribuição. Ele permite a um órgão central identificar as
necessidades reais dos produtos nos centros de distribuição"
assim como, mais a jusante, nas lojas abastecidas por estes CDs. As
demandas destas lojas podem ser estabelecidas por técnicas de previsão
de venda com base em históricos de vendas aos consumidores, devidamente
ajustados para os períodos futuros.
Os sistemas DRP utilizam um único código
identificador para cada SKU e, através do conceito de se
formatar uma estrutura das fontes de suprimento, é possível
identificar qual fonte de fornecimento - um centro de distribuição,
uma fábrica ou um fornecedor - abastece cada um dos elementos da rede,
sejam centros de distribuição ou lojas.
Este relacionamento hierárquico permite ainda que se
estabeleçam quais skus de uma loja são abastecidos por cada CD.
Isto é importante, pois uma mesma loja poderá ter seus itens
abastecidos por CDs diferentes, como no caso de uma rede que tenha CDs
especializados para mercadorias frigorificadas, por exemplo. Desta
forma, o sistema DRP permite que se definam todos os "caminhos de
suprimento", para cada item, individualmente, de uma rede de lojas.
No diagrama do quadro 7 é mostrado este relacionamento hierárquico
entre os elementos de uma rede de distribuição.
QUADRO 7: Um modelo de rede de distribuição de
mercadorias

Baseado no conceito de explosão de necessidades ao
longo desta rede, o sistema, utilizando a lógica MRP, calcula as
necessidades líquidas de mercadorias, levando em consideração os
estoques disponíveis, estoques de segurança e estoques em trânsito
(já despachados por uma fonte de fornecimento e ainda não recebido no
local onde as necessidades estão sendo calculadas). Ordens planejadas
são criadas para cobrir as necessidades brutas ao longo do horizonte de
planejamento usando as regras de cálculo de tamanho de lote,
parametrizadas no sistema. Estes cálculos podem ser melhor entendidos,
observando-se as planilhas mostradas no quadro 8:
QUADRO 8: Exemplos de cálculos de um sistema DRP

Conforme Bowersox e Closs ( 6 ), os maiores
benefícios logísticos obtidos com o uso de DRP são:
 | Redução dos custos de fretes pela melhor
coordenação dos embarques. |
|
 | Redução dos níveis de inventário
já que o DRP pode determinar com precisão qual item é necessário,
onde, quando e quanto. |
|
 | Diminuição do espaço de armazenagem
face à redução dos estoques totais. |
|
 | Melhoria da visibilidade dos estoques e
conseqüente melhor coordenação entre as fontes fornecedoras e as
lojas ou centros de distribuição. |
|
 | Aumento da capacidade de elaborar
orçamentos através da possibilidade de serem feitas simulações dos
estoques em cada elemento da rede e o conseqüente cálculo das
necessidades de transportes, utilizando simulações de múltiplos
cenários. |
|
7) GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS – SCM
Conforme Anupindi et al ( 7 ), "a produção e
distribuição de produtos para atender a demanda dos consumidores
envolve os fluxos que permeiam uma complexa rede de processos que
incluem fornecedores de matérias primas, fabricantes de produtos
acabados e seus atacadistas, distribuidores e varejistas. Toda esta rede
de elementos agregadores de valor é chamada de cadeia de suprimentos. A
meta dos participantes da cadeia de suprimentos é a sincronização dos
fluxos através da rede, para atender a demanda do consumidor final da
forma mais econômica. Gerenciar a cadeia de suprimento envolve
armazenar e mover produtos e informações através de toda esta rede
para disponibilizar os produtos aos consumidores, quando e onde eles
estejam desejando, ao menor custo possível."
A chave para uma boa gestão da cadeia de suprimentos
é a sincronização dos fluxos entre os elementos desta rede. A
ausência de sincronização provoca um perverso efeito que causa
prejuízos a todos os elementos da cadeia e é chamado de efeito
chicote, conforme mostrado no quadro ( 9 ) abaixo:
QUADRO 9: Efeito chicote: variação das ordens ao
longo da cadeia de suprimentos

Como se percebe no quadro acima, os perfis da ordens
tendem a ser alterados – aumentados - ao longo da cadeia de
suprimentos, a medida que se retrocede do consumidor para o varejista,
deste para o atacadista, do atacadista para o fabricante, etc.. Este
fenômeno de aumento da variabilidade da demanda indica claramente uma
falta de sincronização de informações entre os elementos da cadeia
de suprimentos, assim como modelos de reposição em desacordo com os
modelos de demanda.
Como Anupindi et al ( 8 ) esclarecem, em uma cadeia
de suprimentos perfeitamente sincronizada, o modelo de ordem em cada
estágio deveria imitar o modelo de consumo do estágio à jusante, até
que se chegasse ao consumidor final. Desta forma, não haveria geração
de estoques desbalanceados ao longo da cadeia de suprimentos, com seus
efeitos perversos conseqüentes.
7.1) A importância da velocidade na reposição
Chama-se Resposta Rápida – "quick
response", conforme Chopra e
Meindl ( 9 ), "o conjunto de ações tomadas em uma cadeia de
suprimentos que conduz a uma redução do tempo de reposição".
Gestores de uma cadeia de suprimentos tornam-se
capazes de aumentar a precisão de suas previsões de demanda à medida
que o tempo de reposição diminui, o que permite equilibrar demanda e
suprimento de maneira mais eficiente e aumentar a lucratividade da
cadeia de suprimentos.
Esta relação entre tempo de reposição e
probabilidade de certeza da demanda pode ser entendida através do
quadro 10.
QUADRO 10: Influência da defasagem de tempo entre a
data de encomenda e a data da demanda real

Este quadro pode ser interpretado pela seguinte
assertiva:
Quanto maior a defasagem de tempo entre a data da
colocação da encomenda (To), que pressupõe uma determinada demanda no
momento em que a encomenda será entregue (Tn), maior será a
probabilidade da demanda prevista (Dp) e, portanto, da encomenda feita,
ser diferente da demanda real (Dr). A probabilidade de haver incerteza (
Ep ) no cálculo da demanda se deve ao fato de a cada intervalo de tempo
em que o horizonte de planejamento se afasta, mais difícil fica prever
o que o consumidor irá comprar. Obviamente, a colocação de ordens de
suprimento adiantadamente, provoca ora as faltas de atendimento, ora os
excessos de estoque.
O tempo de reposição deve ser constantemente
discutido entre os elementos da cadeia no sentido de eliminar fatores
causadores de demoras como:
 | Tempo de comunicação das quantidades
a serem ordenadas |
|
 | Programação de produção dos
fabricantes feita em ciclos de longa duração |
|
 | Tempo de preparação de máquinas dos
fabricantes obrigando produção em grandes lotes |
|
 | Transportes
ineficientes geradores de demoras |
|
 | Processos demorados de recebimento,
conferência e inspeção de mercadorias, etc. |
|
A necessidade de manter estoques de segurança é uma
função da combinação das incertezas do suprimento e da demanda. Sob
esta perspectiva, quanto menor e mais confiável for o tempo de
reposição mais capacidade de reação se pode ter em relação às
variações de demanda e, menores poderão ser os estoques de
segurança.
7.2) O planejamento colaborativo da demanda e da
reposição - CPFR e o gerenciamento dos estoques pelo fornecedor –
VMI
Colaboração, em negócios, é o trabalho
conjunto de múltiplas empresas de maneira a obter mútuos benefícios.
Em termos de cadeia de suprimentos é compartilhar informações,
conhecimento, riscos e lucros para reduzir custos, tempos de atendimento
e estoques e obter maior produtibilidade, compartilhando tais
benefícios também com os consumidores finais.
Anupindi et al ( 10 ) comenta: " idealmente, os
consumidores gostariam de ter disponíveis uma grande variedade produtos
de alta qualidade, a preços baixos, atendendo as suas necessidades em
termos de quantidade, tempo e lugar". Para atender este conjunto de
desejos dos consumidores é preciso que além da ótica de colaboração
em negócios, se procure a sincronização entre todos os elementos de
uma cadeia de suprimentos, desde os fornecedores das matérias primas
básicas, passando pelas indústrias de transformação e atacadistas,
até os varejistas que atenderão os consumidores.
Aspecto fundamental desta colaboração e
sincronização é a atividade de planejamento colaborativo da demanda e
da reposição – CPFR – que utilizando de maneira intensiva os
softwares de gestão e comunicação além de um processo negocial
avançado, compartilham as informações de demanda, planos
promocionais, lançamentos de produtos, políticas de estoque, etc.,
visando obter o sincronismo mencionado. Em conjunto com o CPFR, temos o
VMI, que facilita a interação dos processos de reposição.
No VMI – gerenciamento dos estoques pelo
fornecedor, este monitora a informação de vendas e estoque do cliente
obtida através dos terminais em pontos de venda ou ponto de consumo
(PDV ou PDC), a qual é transmitida eletronicamente, através do
EDI/Internet, para fins de liberação de pedidos para reabastecimento
segundo parâmetros de estoque-alvo estabelecidos quando da negociação
do contrato de fornecimento.
7.3) Utilizando a internet para o envio de pedidos e
programar as entregas
Os ciclos de compra sempre estiveram atrelados ao
ciclo de visitas dos representantes dos fornecedores. Aproveitava-se a
visita do representante para emitir o pedido e o representante levava o
pedido assinado para sua fábrica ou para seu representado.
Esta prática deve ser abolida, tornando a atividade
de envio de pedidos ou de programas de entrega – quando temos um
pedido em aberto com o fornecedor – uma atividade a ser realizada via
EDI ou internet, diretamente à fábrica que irá fornecer os itens
encomendados. Neste momento se envia cópia do pedido ao representante
para que ele execute eventuais conferências sobre o que foi combinado.
Entende-se também que uma visita de representante
deve ser para efetuar negócios e demonstrar novos produtos e não para
ir apanhar pedidos. O ciclo de compras deve ser comandado pelas
necessidades de reposição dos estoques, o que pode ser feito
diretamente pelos computadores, ou pela necessidade de se iniciar o
suprimento das novas coleções relativas às estações do ano ou aos
eventos em perspectiva.
7.5) Com quantos fornecedores diferentes deve-se
trabalhar?
O conceito de fornecedores únicos, largamente
utilizado hoje na indústria deve nortear também a atividade de compras
do varejo. É lógico que o varejista, na grande maioria dos casos, não
pode se restringir a uma única marca de produto de cada categoria, pois
isto reduziria o interesse de seus clientes face ao sortimento pouco
interessante.
É preciso entender, entretanto, que devemos evitar
trabalhar com fornecedores que contribuam com valores de venda pouco
significativos. Os custos de selecionar, desenvolver e manter controle
sobre um fornecedor são altos e, portanto, devemos tentar reduzir o
número de fornecedores ao mínimo que os clientes desejam.
8) CONCLUSÃO
O comprador na empresa varejista é um dos elementos principais para
que esta obtenha bons resultados em suas operações. Com o aumento da
competição, da dificuldade das empresas se livrarem da alta
incidência da carga tributária e tendo que satisfazer consumidores
cada dia mais exigentes e atentos, o profissional de compras necessita
estar capacitado plenamente nas técnicas de gestão de estoques e
compras para o varejo.
Para tanto, além de suas naturais habilidades de negociador,
necessita de elevado nível de treinamento em aspectos financeiros da
gestão de estoque e vendas, completo domínio das diversas técnicas de
gestão dos estoques de acordo com os perfis de demanda dos itens que
negocia e estar disposto a adotar a filosofia de colaboração que hoje
é fundamental no processo de criação e manutenção de cadeias de
suprimento lucrativas.
Não é mais possível para uma rede de varejo ou mesmo para uma
grande loja única, gerir estoques e compras com base unicamente na
experiência.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
( 1 ) Retail Out of Stock Study,
aggregated finding of 52 industriy and academic studies. diversos
pesquisadores, patrocinado pela Procter & Gamble em 2002, encontrado
no site www.retailwire.com em 05/03/2003.
( 2 ) LEVY, Michael e WEITZ,
Barton A. . Administração de Varejo; Tradução de Erika Suzuki da 3a
edição, 1998- São Paulo: Atlas, 2000. p.312
( 3 ) Idem, p.304 e 305
( 4 ) APICS Dictionary, diversos
colaboradores, The Education Society for Resource Management. 1987. p.
32.
( 5 ) LANDVATER, Darryl V. e GRAY,
Christopher. MRPII Standard System: A Handbook for Manufacturing
Software Survival, Oliver Wight Limited Publications, Inc., Vermont. p.
169.
( 6 ) BOWERSOX, Donald J. e CLOSS,
David J..Logistical Management: the integrated supply chain process, The
McGraw-Hill Companies, Inc., Singapore, 1996, p. 293.
( 7 ) ANUPINDI, Ravi et al, Managing Business
Process Flows, Prentice Hall, New Jersey, 1999, p.241.
( 8 ) Idem, p. 242.
( 9 ) CHOPRA, Sumil e MEINDL, Peter.
"Supply Chain Management: Strategy, Planning, and Operation.
Prentice-Hall, Inc., New Jersey, 2001. p.234
( 10 ) Idem ( 8 ), p. 225.
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